Em 2014, quando a franquia Gundam fazia 35 anos de existência, foi divulgado um projeto extremamente ambicioso: O Gundam Global Challenge. O projeto, que na verdade vendia-se como um grande desafio, convocava engenheiros do mundo todo a enviarem suas ideias a fim de fazer um Gundam em tamanho real (o modelo RX 78-2, o da primeira série, de 18 metros de altura) andar até 2020. A melhor ideia seria premiada e patenteada para que este grande “sonho” se tornasse real.

Nesta época, a ilha de Odaiba em Tokyo já era a casa de uma estátua do Gundam em tamanho real desde 2009, que mexia a cabeça e emitia alguns sons. Com base neste Gundam já poderíamos imaginar o que estava por vir, mas será que o projeto realmente tem potencial para ir pra frente?

As duas estátuas do Gundam já expostas em Odaiba, o RX 78-2 e o Unicorn
Com diversas ideias criativas escolhidas para a final, quatro engenheiros receberam o prêmio e entraram para a equipe de criação do novo Gundam. Finalmente em 2017, foi anunciado que a antiga estátua de Odaiba seria retirada e trocada por uma do Gundam Unicorn, enquanto o tão esperado modelo que anda seria construído. Estava confirmado definitivamente o projeto.
Engenheiros escolhidos pelo Global Challenge
Foi decidido que o novo Gundam será instalado na baía de Yokohama. Junto a ele, terá uma fábrica de Gunplas (modelos de plástico para montar) chamada Gundam Factory Yokohama, uma filial da Gundam Base, maior loja de artigos de Gundam do país, além de mais uma filial do Gundam Café, lanchonete temática da franquia.

Assim como em algumas temporadas do anime, o Gundam terá um dock (G-Dock), uma espécie de torre que guarda o robô (e no caso, servirá para “carregar” a energia necessária para que ele ande). Um transportador de ferro (G-Carrier) será necessário para se conectar e sustentar o robô de 18 metros dentro do Dock. Para cada um destes equipamentos, há um responsável pela criação e gerenciamento. Além dos quatro engenheiros envolvidos no concurso, foram chamados profissionais extremamente apaixonados por Gundam para a direção. O projeto de engenharia também será totalmente disponibilizado em código aberto, para que futuramente empresas do mundo todo usem a tecnologia.
Simulação do G-Dock
Desde o ano passado, o Gundam Channel disponibiliza um documentário chamado “Ugokuno ka? Gundam – Yume e no chosen” (O gundam poderá se mexer? O desafio por um sonho). Ele é dividido em vários episódios, mostrando como a equipe está criando o mecanismo da nova estátua. É com base neste documentário que venho falar um pouco sobre os bastidores e desafios que englobam a nova fase do Gundam Global Challenge, a hora de botar a mão na massa!
Reunidos no escritório principal do projeto, alguns dos principais profissionais do Japão conversam calorosamente sobre cenas icônicas da franquia. Eles discutem sobre os seus robôs favoritos e “brincam” de automatiza-los, usando mecatrônica para fazer alguns gunplas se mexerem. Todos os envolvidos no Global Challenge têm um sonho de infância em comum: construir seu próprio Gundam de verdade.
O desafio parece árduo, um deles diz que um cabo mal conectado pode gerar cerca de 4 mil erros. Uma mão do Gundam, pesando cerca de 200kg e com 2 metros de altura, levou meses para começar a se mexer. Essa mesma mão consegue mexer todas as articulações dos dedos e até fazer o “V”de vitória.
A “mãozinha” de 200kg
Para conectar todo o Gundam, são necessários 900 cabos (os maiores com cerca de 50 metros de comprimento), todos devidamente testados. O maior desafio nesta parte foi evitar o choque por eletricidade estática, que fazia com que as peças simplesmente parassem de funcionar (valeu até usar papel alumínio nos testes!).
Alguns engenheiros envolvidos no projeto são tão apaixonados por Gundam que seus esforços superam a nossa expectativa. Akimori Ishii, o diretor técnico, chegou a simplesmente abandonar o emprego em que estava há mais de 20 anos para entrar de cabeça na construção deste sonho. O detalhe é que, no Japão, um funcionário fixo costuma ficar a vida inteira na mesma empresa, com estabilidade e, caso tenha graduação, grandes chances de crescimento. Ishii provavelmente já era chefe na empresa em que estava e largou tudo por um serviço não tão “estável”. Além disso, ele se mudou para um apartamento de um cômodo só em Yokohama e só consegue ver sua esposa e os três filhos nos fins de semana. É paixão que a gente chama?
Ishii e o amor de sua vida
Para outro grande apaixonado por Gundam, o diretor criativo Kawahara Masaki, o maior desafio na verdade é ter que lidar com as opiniões e palpites do autor da franquia, Yoshiyuki Tomino. Falando coisas ríspidas como “está feio”, “não é interessante”, “isso não funciona” e “muito chato”, o pai do Gundam sempre reclama dos testes feitos pelo designer, que também criou as duas estátuas anteriores. “Vocês estão querendo fazer somente uma cópia de um robô de quarenta anos atrás, isso é ultrapassado! As pessoas hoje gostam de coisas mais arrojadas, quero que usem a criatividade!” reclama Tomino, sempre genioso, ao olhar a estátua praticamente pronta. Com toda a paciência do mundo, Kawahara promete fazer tudo do zero, entendendo o ponto de vista do Tomino. Você conseguiria fazer o mesmo?
Esse velhinho pode ser realmente medonho quando acorda exigente!
Outra dificuldade é que cada empresa responsável por um pedaço do projeto fica em algum local do Japão. Enquanto o G-Dock é construído em Yokohama (por uma empresa especialista na construção de grandes pontes e cartões postais do Japão), O G-Carrier é feito do outro lado do país, na província de Ehime e enviado posteriormente para Yokohama. Já o inner frame, o “esqueleto” do Gundam, está sendo finalizado na província de Ibaraki. Com tudo terminado, todas essas “peças” vão se juntar como um grande Gunpla, aguardando apenas os toques finais para serem mostradas ao público.
Inner Frame do Gundam já finalizado
Mas afinal, quando o Gundam vai ficar pronto?
Se depois de todos os problemas acontecendo no mundo por conta da pandemia nós pudermos ser positivos e contar com as datas anunciadas, o Gundam deve ficar pronto em julho, sendo exposto até agosto estático no G-Dock. Neste período, as pessoas poderão subir no Dock e ver a estátua bem de perto.
A data oficial de lançamento do robô é em outubro deste ano, ficando até outubro do ano que vem em Yokohama, caso não haja alteração. Aí sim veremos ele andando e se movendo. O quanto vai andar? Ainda não dá pra ter muita noção, mas esperamos que seja algo realmente revolucionário!
Será possível mesmo o sonho se realizar? Podemos continuar acompanhando o documentário pra saber o que vai acontecer a partir de agora! Lembrando que grande parte dele está disponível com legendas em inglês.
E aí, o que você acha? O Gundam vai conseguir realmente dar uns passos? Vai se mostrar como uma arma nuclear japonesa? Vai vender alguns milhares de brinquedos pros turistas corajosos que virão pras possíveis Olimpíadas? Comentem aí embaixo, vou adorar conversar mais sobre isso!
Fontes:
COMO O GUNDAM REAL VAI ANDAR? Conheça o projeto! publicado primeiro em https://www.genkidama.com.br
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