Parte 2 de uma entrevista de 2013 com Inio Assano para cakes.mu. Originalmente publicada em duas partes e traduzido do japonês para inglês pelo mangabrog.
–Algumas cenas da sua série atual Boa noite Punpun podem ser difíceis de ver. É difícil para você desenhar essas cenas?
Asano: Muitas pessoas dizem que meu mangá é bem difícil. Eu não o vejo assim. Quando coisas ruins acontecem com os personagens do meu mangá, sempre é culpa deles. E como acredito que os personagens merecem, não me sinto muito mal.
–Falando como um leitor, às vezes sinto que não faria mal se os personagens encontrassem finais um pouco mais felizes …
Asano: Não, isso está certo. Na verdade isso toca na minha motivação para desenhar mangás. A razão pela qual a história se desenrolou não é porque eu decidi que eu queria fazer uma história sombria ou cruel. Acho que há muitos mangás alegres no mundo. Eu v (esse tipo de história) como um nicho que precisava ser preenchido e tentei criar algo diferente, e assim, inevitavelmente, foi o que aconteceu.
–É um correçao para outros mangás por aí, então.
Asano: não estou dizendo que há algo errado com outros mangás, mas quando olho para o que vende, não consigo deixar de pensar: “Uau, as pessoas com certeza gostam do mangá que as fazem se sentir bem”.
–Ah, é verdade. Histórias em que o protagonista é recompensado no final por ser de bom coração ou por se esforçar.
Asano: As pessoas amam essas coisas. Mas essa coisa de sentir-se bem não fez muito para eu me fazer sentir bem quando eu era adolescente. O que me encorajou foi, na verdade, as coisas que não tinham nenhum tipo redenção. No Himizu de Minoru Furuya, por exemplo, era encorajador ver esse mangá com esse protagonista pessimista em uma revista semanal. O que não quer dizer que o pessimismo seja melhor exatamente, mas apenas o fato de esse mangá poder existir em algum lugar para as pessoas verem foi ótimo.
–Deve haver jovens por aí agora que também serão encorajados por esse tipo de mangá pessimista.
Asano: Não é como se eu estivesse fazendo essa história feia apenas para incomodar as pessoas … embora, bem, eu também queira chocar as pessoas que são excessivamente complacentes. (risos) Veja, é por isso que eu sou odiado. Há pessoas por aí que acham que eu não deveria mostrar esse mangá horrível e às vezes sinto que sou odiado. Obviamente não há nada que eu possa fazer sobre isso,.
– Você disse antes que suas dificuldades psicológicas são a fonte de sua criatividade.
Asano: Isso é verdade. Originalmente, eu tinha problemas com o meu corpo. Meu corpo está meio que afundado um pouco abaixo do meu esterno. É imediatamente perceptível, então eu absolutamente odiava ir à piscina durante a educação física na escola primária.
–Há um garoto assim em Njigahara holograph.

Asano: Eu sinto que essas pessoas não leram meu trabalho recente. (risos) Boa noite Punpun não é um mangá moderno. No meu mangá anterior, tentei dar uma espécie modernidade, mas aquilo foi apenas superficial. E, convenhamos, mangá sempre foi tosco!
–Uau … essa é uma maneira bem direta de colocar isso. (risos)
Asano: Mas tudo bem que seja tosco. Isso é bom, à sua maneira. Tomemos os personagens por exemplo: tê-los com o mesmo corte de cabelo e sempre vestindo as mesmas roupas pode realmente ser uma coisa boa em termos de merchandising e cosplay. E então, em termos de história e mise-en-scène, priorizar a legibilidade e a clareza leva a formas de expressão muito únicas para o meio. Eu quero que o mangá em que estou trabalhando esteja no mesmo plano que a realidade, e tudo o que estou fazendo é me livrar desses aspectos não naturais que o mangá se safa por ser mangá. Então, quando as pessoas me acusam de me esforçar demais para parecer moderno, sinto que essas pessoas estão muito acostumadas a mangás e, na verdade, estou desenhando as coisas normalmente.
–Este é o mecanismo de resolução de problemas que você mencionou antes, que permite lidar com as críticas que você recebe na internet, eu entendo. (risos)
Asano: Eu costumava sair e dizer essas coisas em entrevistas, mas não me incomodo mais. Ah, acho que acabei de fazer. (risos) Todas essas coisas não se aplicam à maioria dos meus leitores. Eles prefeririam que eu não tivesse que explicar essas coisas. Inevitavelmente, falar sobre um mangá demasiadamente é uma coisa feia.
–Certo, isso não se aplica às pessoas que estão de fato lendo o seu trabalho.
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–A sua mesa já está começando a parecer diferente do que ouvi falar até agora. A propósito, o que é tudo isso aqui?

Asano: Um monte de máquinas relacionadas à música. Atualmente, não tenho muito tempo para me dedicar à música. Eu costumava estar em uma banda e treinávamos com bastante frequência, mas agora estamos todos na casa dos trinta. Agora, ocasionalmente, crio músicas usando software adiciono meus próprios vocais ruins e ouço sozinho. Não sei porque eu faço isso.
–Você deveria divulgar essas coisas para o público! (risos) Tudo bem, que tal esta estante atrás?

Asano: O conjunto de obras e autores que eu tenho lá não muda há dez anos. Eu gosto dos mangás de Naoki Yamamoto, Kyoko Okazaki, Minetaro Mochizuki. Kenichiro Nagao estava concorrendo no Young Sunday ao mesmo tempo que eu e ele foi uma grande influência para mim.
–Então os aspectos surreais do seu trabalho foram influenciados por Kenichiro Nagao? Isso é um pouco surpreendente.

Asano: tenho muitas pessoas entrando e saindo dessa sala, então esse conjunto de mangás é definitivamente feito para ser exibido. (risos) Este material é colocado aqui sabendo de que será visto. Mas o problema é que, às vezes, tenho pessoas fazendo comentários maliciosos sobre como minha estante de livros se parece com algo da Village Vanguard. (risos) Até recentemente, eu tinha uma estatueta aqui da Madoka da Puella Magi Madoka Magica, mas eu a tinha apenas para mostrar às pessoas, como: “Ei pessoal, eu também gosto dessas coisas”. Mas ninguém mordeu a isca e disse alguma coisa, e de todo modo eu não tinha certeza de quem eu estava tentando mostrar, então eu a guardei. (risos) Bom anime, no entanto.
–Você não tinha certeza de quem estava tentando mostrar? (risos)
Asano: Eu gosto de muitas coisas, mas nunca me aprofundo nelas. Assim, como nas figures, sou incapaz de coletar uma série inteira, por exemplo. Não consigo realmente me interessar. A única exceção é quando eu estava colecionando Lego. Isso é algo que me interessou – eu costumava criar todos os tipos de criações originais ignorando os manuais de instruções. Este robô é uma daquelas criações.

–Isso é algo que você construiu por conta própria? Uau!
Asano: Sim, é um trabalhão devo dizer! (risos) Eu criei o design na minha cabeça enquanto o montava. A Lego vende seus próprios conjuntos de robôs, mas eles não são legais o suficiente.
–Parece um modelo de plástico Gundam.
Asano: Eu também gostei de montar modelos Gundam. Ah, mas não é que eu goste tanto que eu realmente possa falar sobre os modelos Gundam – eu não sou fã de verdade. Não tenho nenhuma área de expertise… mas acho que você poderia dizer que as histórias de horror de Junji Inagawa são algo que eu conheço bem. Eu ouvi os álbuns dele várias vezes.
-Hã? As histórias de horror de Junji Inagawa? Existem álbuns disso?
Asano: Ele publica um por ano, existem mais de vinte agora. Eu possuo a maioria deles, então minha biblioteca do iTunes está cheia de histórias de horror de Junji Inagawa.

–Isso é incrível …
Asano: A vida que levo é verdadeiramente um vazio de qualquer coisa para se orgulhar. Ah, mas estou fazendo um bom trabalho com mangás. Eu tenho que entregar a mim mesmo que tenho trabalhado duro nessa coisa de desenhar mangá.
–Não é o suficiente ?!
FIM
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UM PASSEIO PELA ÁREA DE TRABALHO DE INIO ASANO – PARTE 2 publicado primeiro em https://www.genkidama.com.br
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